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Transversalidade
De forma articulada aos objetivos e conteúdos da área, Matemática, e outras área de conhecimento os Temas Transversais podem ser abordados, de acordo com os Brasil (1998, p. 29-35) da seguinte maneira:
• Ética: “o ensino de Matemática muito pode contribuir para a formação ética à medida que se direcione a aprendizagem para o desenvolvimento de atitudes, como a confiança dos alunos na própria capacidade e na dos outros para construir conhecimentos matemáticos”.
• Orientação Sexual: “é possível compreender por meio da análise de dados estatísticas a diferença de remuneração de trabalho de homens e mulheres e do acesso aos cargos de chefia; o aumento da incidência da gravidez prematura entre jovens e adolescentes; o comportamento das doenças sexualmente transmissíveis, e discutir e avaliar a eficiência das políticas públicas voltadas para essa questão”.
• Meio Ambiente: “A compreensão das questões ambientais pode ser favorecida pela organização de um trabalho interdisciplinar em que a Matemática esteja inserida. A qualificação de aspectos envolvidos em problemas ambientais favorece uma visão mais clara deles, possibilitando tomar decisões e fazer intervenções necessárias (reciclagem e reaproveitamento de materiais, por exemplo)”.
• Saúde: “Os levantamentos de saneamento básico, condições de trabalho, assim como o acompanhamento do próprio desenvolvimento físico (altura, peso, musculatura) e o estudo dos elementos que compõe a dieta básica, são alguns exemplos de trabalhos que podem servir de contexto para a aprendizagem de conteúdos matemáticos”.
• Pluralidade cultural: “A construção e a utilização do conhecimento matemático não são feitas apenas por matemáticos, cientistas ou engenheiros, mas, de formas diferenciadas, por todos os grupos sócioculturais, que desenvolvem e utilizam habilidades para contar, localizar, medir, desenhar, representar, jogar e explicar, em função de suas necessidades e interesses”.
• Trabalho e Consumo: “Aspectos ligados aos direitos do consumidor também necessitam da Matemática para serem mais bem compreendidos. Por exemplo, para analisar a composição e a qualidade dos produtos e avaliar seu impacto sobre a saúde e o meio ambiente, ou para analisar a razão entre o menor preço/maior quantidade”.
A transversalidade pressupõe um tratamento integrado das áreas e um compromisso com as relações interpessoais no âmbito da escola. Os valores que se querem transmitir, existentes na vivência escolar, devem ser claros para desenvolver a capacidade dos alunos de intervir na realidade e transformá-la. Essa capacidade tem relação direta com o acesso ao conhecimento acumulado pela humanidade. Assim, de um modo geral, os PCN’s inovam, pois consideram a escola como um espaço não apenas de reprodução, mas de transformação da sociedade, ao pressupor que ela pode articular-se com os segmentos sociais e compartilhar com eles um projeto de mudança social.
O trabalho com a realidade local possui a qualidade de oferecer um universo acessível e conhecido, passível de ser campo de aplicação de conhecimento, através de assuntos mais significativos. Portanto, para que os alunos possam compreender a complexidade e a amplitude das questões ambientais, é fundamental oferecer-lhes, além da maior diversidade de experiências, uma visão abrangente que englobe diversas realidades e, ao mesmo tempo, uma visão contextualizada da realidade ambiental, o que inclui, além do ambiente físico, as condições sociais e culturais.
As mudanças que vêem acontecendo, hoje, na educação são significativas para formamos uma nova concepção do que seria desenvolver uma prática contextualizada à realidade do aluno. Porém, com essa dinâmica de tornar o aluno um cidadão protagonista do meio em que vive, precisamos estar preparados para desenvolvermos uma nova forma de fazer educação, pois de certa maneira ainda temos raízes no modo tradicional de ensino que, na maioria das vezes, anula essa nova proposta educacional.
Como vem sendo discutido, o profissional da educação sente a necessidade de contextualizar sua prática para fazer com que as vivências dos alunos cheguem à sala de aula, em que as mesmas possam ser articuladas aos conteúdos, dando significados ao que está sendo proposto como atividade para viabilizar o ensino-aprendizagem.
Essa postura de valorizar e trabalhar a realidade dos alunos, contextualizando a prática pedagógica é interessante, porém, as mudanças decorrentes das diferentes tendências pedagógicas que estão sempre acontecendo em nosso trabalho, dificultam às vezes nossa prática, por não existir tempo suficiente para apropriarmos dos conhecimentos necessários. Outro fator considerável seria a realidade do aluno que não é condizente com as transformações que acontecem de repente, aonde à adaptação vem tardia. Tenhamos a consciência de que trabalhar dessa maneira é difícil, mas não impossível.
A qualificação é outro fator que vai fazer diferença no trabalho do professor. É através das discussões dentro da sala de aula, nos planejamentos, nas atividades pedagógicas desenvolvidas, nas reuniões de pais, na hora do intervalo que estaríamos nos qualificando; através das nossas vivências, procurando solucionar dúvidas, entender nossas angústias, compreender essa dinâmica; trabalhando de forma colaborativa, cooperativa, participativa e democrática.
Notamos, a partir de discussões com colegas, a apropriação da transversalidade como algo mecânico, ou seja, as competências e habilidades a serem desenvolvidas ficam esquecidas em relação aos questionamentos feitos à temática social; o trabalho com caráter interdisciplinar dinamiza os conteúdos, fazendo relações que vêm facilitar o processo, mas o trabalho fica difícil quando não estamos preparados e/ou não temos recursos para desenvolvê-lo como inicialmente deveria e a atividade interdisciplinar e transversal anula o sentido de ambas, quando não possuímos o conhecimento necessário para articulação das mesmas.
No trabalho de Caldeira e Meyer (2001), foi apresentado um curso dado a professores de escolas municipais de Campinas, SP, onde, desde o início da elaboração dos projetos, havia a preocupação de reconhecer e assumir uma postura em relação à Matemática como instrumento, meio e não como objetivo final. Portanto, essa realidade vem reforçar a necessidade da investigação dos alunos, tendo o professor assumido o papel de facilitador, não mais aquele que expõe todo conteúdo; mediador, promovendo a análise das propostas dos alunos e sua comparação; incentivador da aprendizagem; avaliador, levando os alunos a terem consciência de suas competências e habilidades tentando superá-las e potencializá-las.
Sabemos que os Temas Transversais estabelecem ligações entre a Matemática e os conteúdos de outras áreas, utilizando como instrumento as questões de urgência social, que caracterizam a transversalidade. Nessa perspectiva, temos uma proposta de possibilitar a articulação das áreas afins, facilitando o processo de ensino-aprendizagem.
1 Licenciado em Matemática (UECE). Especialista em Educação a Distância (SENAC). Especialista em Engenharia de Sistemas (ESAB). Especialista em Gestão Escolar (UECE). Técnico em Microinformática (CEPEP). Docente na área Ciências Naturais Matemática e Suas Tecnologias. E-mail: professormarcelobrga@oi.com.br
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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[7] KAMII, C.; DECLARK, G. Reinventando a aritmética: Implicações da teoria de Piaget. 13 ed. Campinas.SP: Papirus, 1997.
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